Com 577 assinaturas, abaixo-assinado foi encaminhado ao Ministério Público da Bahia. Moradores reivindicam castração gratuita, vacinação, atendimento veterinário e políticas para proteger animais abandonados.
O aumento de animais abandonados nas ruas de Miguel Calmon, no interior da Bahia, tem despertado preocupação entre moradores, protetores independentes e representantes da causa animal. Diante do cenário, a população cobra da administração municipal a criação e ampliação de políticas públicas que garantam proteção, assistência e melhores condições de vida para cães, gatos e outros animais.
As reivindicações incluem a implantação de um castramóvel, campanhas gratuitas de vacinação V10, atendimento veterinário público, construção de um abrigo municipal, apoio aos protetores e alternativas para acabar com a utilização de cavalos na tração de carroças.
A insatisfação dos moradores chegou ao Ministério Público da Bahia (MP-BA). Em junho de 2026, conforme divulgado pelo portal Calmon Notícias, um abaixo-assinado com 577 assinaturas foi protocolado junto ao órgão, pedindo providências para enfrentar o abandono e o crescimento descontrolado da população de cães e gatos.
A iniciativa deu origem à Notícia de Fato nº 170.9.147004/2026, que reúne solicitações como castração gratuita, microchipagem, implantação de abrigo municipal e assistência aos protetores independentes.
Falta de castração contínua preocupa moradores
Entre as principais preocupações está a reprodução descontrolada de cães e gatos, que contribui para o aumento de animais nas ruas e agrava os problemas relacionados ao abandono.
A população defende que Miguel Calmon tenha um programa permanente de castração gratuita, com atendimento prioritário aos animais em situação de rua e aos que pertencem a famílias de baixa renda.
Segundo informações do Calmon Notícias, a última campanha municipal de castração teria acontecido em 2024. A ausência de novas ações regulares reforçou a cobrança por um serviço que funcione durante todo o ano.
Em agosto de 2026, a vereadora Priscila Advogada levou o assunto à Câmara Municipal e defendeu a implantação de um castramóvel. O crescimento da quantidade de cães abandonados também foi abordado pelo radialista William Sales.
Outra reivindicação é a realização de campanhas de vacinação V10, que protege os cães contra doenças como cinomose e parvovirose. A proposta é ampliar o acesso à imunização, principalmente para tutores que não conseguem arcar com os custos na rede particular.
Município também é cobrado por assistência veterinária gratuita
A falta de condições financeiras para custear consultas, exames e tratamentos veterinários representa mais um obstáculo para famílias de baixa renda e protetores que assumem os cuidados de animais abandonados.
Por isso, a implantação de um serviço público veterinário está entre as propostas defendidas pela população.
A experiência de outros municípios, como Salvador, onde existe atendimento por meio de hospital veterinário público, demonstra uma possibilidade de ampliar a assistência aos animais.
Em Miguel Calmon, a Prefeitura poderia avaliar a construção de uma unidade municipal, estabelecer parcerias com clínicas particulares ou organizar um serviço regionalizado.
A iniciativa poderia oferecer consultas, procedimentos, exames, cirurgias e atendimentos emergenciais, de acordo com a capacidade financeira e operacional do município.
Substituição de carroças por veículos elétricos é outra proposta
A proteção animal também envolve os cavalos utilizados para puxar carroças. O esforço físico, as condições de trabalho e a exposição desses animais a situações de desgaste levantam questionamentos sobre a continuidade da tração animal.
Uma das alternativas é o Cavalo de Lata, modelo de veículo motorizado, geralmente elétrico, desenvolvido para transportar cargas sem a utilização de animais.
A proposta permite que trabalhadores continuem exercendo suas atividades, inclusive na coleta de materiais recicláveis, sem depender da força dos cavalos.
João Pessoa, na Paraíba, já desenvolve iniciativas de substituição de carroças por triciclos elétricos, com ações de cadastramento dos trabalhadores e avaliação veterinária dos animais.
Miguel Calmon poderia estudar um projeto semelhante, oferecendo alternativas de transporte, capacitação profissional e acompanhamento dos trabalhadores, além de garantir uma destinação responsável aos cavalos retirados dessa atividade.
Quanto o município investe na proteção animal?
Outra questão levantada pela mobilização é a necessidade de investimentos permanentes na causa animal.
A população quer saber quais recursos são destinados pelo município à castração, vacinação, atendimento veterinário, acolhimento e manutenção de programas de combate aos maus-tratos.
Embora os tributos incidentes sobre rações, medicamentos e produtos veterinários não sejam automaticamente destinados à proteção animal, os moradores podem cobrar que a administração municipal inclua essas políticas entre suas prioridades orçamentárias.
A discussão também envolve transparência na aplicação dos recursos públicos e planejamento de ações capazes de apresentar resultados concretos.
Cobrança já está no Ministério Público
O encaminhamento do abaixo-assinado com 577 assinaturas demonstra que a reivindicação não está restrita a manifestações nas redes sociais.
De acordo com o Calmon Notícias, após receber a representação, o Ministério Público solicitou informações à Prefeitura e à Vigilância Sanitária sobre as providências adotadas para controlar a população de cães e gatos.
A publicação também informou que representantes do movimento avaliaram como insuficientes os esclarecimentos apresentados pelo município naquele momento e pediram a continuidade do procedimento.
Gestão municipal precisa apresentar respostas
Com a mobilização dos moradores e a cobrança formal encaminhada ao Ministério Público, a expectativa é que a gestão do prefeito Sampaio Filho esclareça quais medidas estão sendo adotadas e quais projetos poderão sair do papel.
A população espera respostas sobre a implantação de um castramóvel, a oferta de vacinação V10, a criação de atendimento veterinário gratuito, a construção de um abrigo municipal e o apoio aos protetores independentes.
Também está em discussão a possibilidade de um programa para substituir as carroças puxadas por cavalos por veículos elétricos.
A proteção animal exige mais do que ações pontuais. É necessário planejamento, orçamento e continuidade para enfrentar o abandono, prevenir doenças e garantir condições dignas aos animais.
O BA em Foco deixa o espaço aberto para que a Prefeitura de Miguel Calmon se manifeste sobre as reivindicações e informe os investimentos e as ações que pretende desenvolver para atender às demandas da população.